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Sporting Paralympics - Rio 2016 - Tóquio 2020

Teresa Neves

  • 23 Anos Natação
  • Data de nascimento 05 fevereiro 1998 |
  • País Portugal

Está aqui

Biografia
Teresa Lamego Neves

Fez-se luz em Eindhoven. Os irmãos Philips iniciaram a saga que mudaria o Mundo, com a produção de lâmpadas incandescentes, corria o ano de 1891. Um feito que até hoje não se dissociou desta cidade holandesa, conhecida e lembrada precisamente pela obra da empresa que hoje conta com mais de 120 mil empregados distribuídos por 60 países. Mas se falarmos a Teresa Neves de Eindhoven, dificilmente a Philips será a primeira palavra a vir-lhe à cabeça. E não é caso para menos. É que foi lá que a atleta se estreou, em 2014, em Campeonatos da Europa de natação adaptada, batendo três recordes nacionais nos 100 metros mariposa (1.17,24), 400 metros livres (5.18,60) e 100 metros costas (1.22,85). “Nadei em quatro provas, três delas correram dentro do esperado e tendo em conta a minha preparação. Nos 200 metros estilos esperava melhorar o meu tempo – era a minha prova de eleição e para a qual tinha treinado mais – mas acusei muito a responsabilidade e o nervosismo prejudicou-me imenso”.

É com este rigoroso e completo balanço que a nadadora natural de Palmela fala das suas prestações na Holanda, num momento importante da carreira. “Estávamos na recta final da época e o cansaço físico e mental era grande”, acrescenta a pequena atleta, muito agradecida ao Clube que representa. “As condições no Sporting são excelentes. Não só materialmente como ao nível humano. Quando cheguei de Eindhoven vieram receber-me ao aeroporto. É sempre bom sabermos que o Clube tem orgulho em nós e interessa-se pelos nossos resultados. Isso para mim é muito importante: perceber que o Sporting gosta e interessa-se por aquilo que faço. Mesmo entre a natação dita normal e a adaptada, temos uma excelente ligação. Costumo ver as provas deles e eles também se interessam pelas minhas. Inclusive alguns tiveram na minha chegada ao aeroporto e outros mandaram mensagem a dar-me os parabéns”, afirma.

Na Holanda, nessa ocasião, fez-se acompanhar pelo irmão e pela mãe, num total de dez dias por terras do Norte da Europa. “Foi a minha estreia neste tipo de competição internacional, mas, tendo em conta aquilo que me contaram, é natural ir com alguns dias de antecedência, até porque as condições são diferentes. A densidade das piscinas de outros países é outra e a fundura também. São piscinas mais rápidas”, realça Teresa Neves, que participou em quatro provas ao longo dos seis dias de competição. O penúltimo dia acabou por ser o menos positivo, muito por culpa do nervosismo. “Às vezes não é a minha própria pressão mas sim as expectativas das outras pessoas em relação aos meus resultados. É isso que me põe nervosa. Não quero desiludir ninguém e quero que tudo corra bem. Foi a minha terceira prova e ainda tinha outra no dia seguinte. Os meus treinadores foram preponderantes, dizendo-me para esquecer esse resultado e para pensar como se não tivesse competido no dia anterior. Acabei por melhorar nessa última prova, precisamente aquela para a qual estava menos preparada”. A atleta recorda também as sensações de uma primeira participação em Campeonatos da Europa. “Fiquei positivamente surpreendida com a competição. É um mundo à parte. Em Portugal temos bancadas cheias nos Campeonatos nacionais, mas temos de ter a noção de que é muito mais difícil juntar público numa competição internacional em que a longevidade das equipas em relação ao local da prova é grande. Conheci muita gente nestes dez dias, muitas pessoas com experiência internacional em Jogos Paralímpicos e que já ganharam medalhas. Isso traz motivação porque dá para perceber até onde poderei chegar”.

Teresa fez parte de um grupo de 11 nadadores – na sua opinião um grupo especial pela diferença geracional. “A comitiva tinha atletas com uma grande variedade de idades, possibilitando aos meus velhos uma passagem de testemunho aos mais novos. Para mim foi uma experiência interessante porque aprendi o funcionamento dentro das Federações”, disse, completando: “Os meus colegas de turma acompanham-me muito, perguntam-me pelas minhas prestações. Quando estive em Berlim, por exemplo, até me tiraram apontamentos”.

Quanto ao futuro, pretende subir as suas marcas e atingir finais de competições internacionais, nomeadamente nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. “Quero melhorar ao longo do tempo, ir evoluindo. Quero deixar de pensar em bater recordes nacionais para planear a participação em finais de grandes competições internacionais. Espero continuar a competir e conciliar a modalidade com os estudos. Penso que, nesse parâmetro, a força de vontade conta muito. É difícil deixar muita coisa para trás mas devemos pensar na oportunidade que temos de representar o nosso país e que muitos não têm essa possibilidade”.

Teresa Neves dá o exemplo dentro e fora das piscinas, virando as desvantagens em benefícios. O exemplo máximo vem do problema de saúde que a coloca como atleta de natação adaptada. “Tive este problema de saúde pela primeira vez aos seis anos, mas já nadava desde os seis meses. Aos sete anos voltei para a natação até que aos nove o problema voltou a surgir, obrigando-me a amputar o pé. A partir daí a natação passou a ser uma forma de reabilitação. Tive aulas sozinha e depois comecei a praticar na piscina de 25 metros até começar a entrar em competições. Fiz a minha primeira prova no verão de 2011, sendo a única rapariga a competir. Acabei por ganhar e a partir daí fui subindo até chegar ao Europeu, dois anos depois de me federar”, explica, afirmando também não ter qualquer dificuldade em lidar com o problema físico. “Lido muito bem. Se o problema não tivesse acontecido não estaria na natação adaptada e dificilmente teria hipóteses de representar a Selecção em natação dita normal”.

Entretanto, e após uma estreia marcante em Campeonatos da Europa, Teresa Neves conseguiu bater o recorde europeu dos 100 metros mariposa e dos 100 metros costas, além de alguns registos nacionais em provas no País e no estrangeiro.

Prémios

Comecou a nadar no Sporting CP por volta dos quatro anos de idade. Aos seis ti de interromper a pratica desportiva porque surgiu a doença que posteriormente a iria fazer ingressar no desporto adaptado. Voltou para o Clube por volta dos 12 anos e começou por ter aulas individuais no "tanque" como forma de reabilitação muscular. Foi em 2012 que a Natação Adaptada entrou na sua vida. Logo na sua primeira prova, em Rio Maior, sagrou-se Campeã Nacional em todas as provas que nadou. Desde ai tem melhorado sempre as suas marcas e aproximando-se cada vez mais do seu objetivo principal: mínimos para os Jogos aos 100M. Tem em sua posse neste momento 6 Recordes Nacional em piscina de 50m na classe S10, sendo eles:

100M – 1'15''72;

200E – 2'50''03;

100C – 1'22''85;

50L – 31'95;

100L – 1'10''64;

400L – 5'18''68;

Já conta com 5 internacionalizações: Meeting de Berlim 2014, Campeonato da Europa 2014, Meeting de preparação para Mundial em Glasgow 2015, Campeonato do Mundo 2015 e Nacional Open da Croácia 2016. Nesta última competição alcançou a sua primeira medalha internacional na prova de 100B através da classificação por pontos. Este ano já fez os mínimos para o Campeonato da Europa na Madeira aos 100M e aos 100B.