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Sporting Paralympics - Rio 2016 - Tóquio 2020

Eduardo Sanca

  • 43 Anos Atletismo
  • Data de nascimento 13 novembro 1978 |
  • País Portugal

Está aqui

Biografia
Eduardo João Sanca

Eduardo Sanca chegou ao Sporting para cumprir um sonho. Intitula-se um “Sportinguista ferrenho” e a paixão pelo Clube vem-lhe de outra latitude. Nasceu e viveu na Guiné-Bissau e não tinha mais de seis anos quando começou a ver os miúdos da rua a jogarem futebol. De um lado o Sporting, do outro o Benfica. O seu coração pendeu para o verde e branco porque gostou das camisolas. E a paixão dura até hoje.

Um dia, o mundo apagou-se. Tinha 12 anos e perdeu, de súbito, a quase totalidade da visão – restou-lhe 10%. “Estava na escola na sexta-feira e via bem; na segunda já não via. Foi um momento muito complicado, porque na Guiné não havia ajudas. Mesmo os médicos, uns diziam que o meu problema tinha solução, outros que nunca mais voltaria a ver”, explica o lançador de 36 anos, recordando uma infância ensombrada pelos problemas de visão, que o fizeram abandonar a escola durante dez anos – só regressou aos estudos em Portugal, para onde se mudou, sozinho, aos 21 anos. “A minha infância foi muito prejudicada pelo problema de visão. A certa altura, comecei a pensar no meu futuro. Na Guiné não havia solução para mim e custava-me estar lá sem fazer nada”. Mudou-se para Portugal e fixou-se em Sacavém, na casa dos tios. A primeira preocupação foi procurar uma escola para concluir os estudos, por isso fez uma busca na internet, que o levou até à Escola Passos Manuel, que tinha ensino especial. Mas não podia limitar-se a estudar. Deslocou-se então à APEDV (Associação Promotora de Emprego de Deficientes Visuais), que lhe conseguiu um curso com uma bolsa mensal de pouco mais de 200 euros. “Ia todos os dias do curso para a escola, de onde saía à meia-noite. No dia seguinte, acordava às seis da manhã para estar no curso às 8h”, recorda o atleta, que se transfere do ACDEA para Alvalade.

O atletismo surgiu-lhe “de pára-quedas”. “Sou da ACAPO e a certa altura comecei a ganhar peso. Eles tinham várias modalidades e eu escolhi a ginástica. No primeiro dia, estava lá o responsável do atletismo e, ao ver-me, perguntou o que eu estava ali a fazer. ‘Com esse corpo estás aqui a estragar’, disse-me”. Resolveu experimentar a apaixonou-se pela modalidade, em concreto pelo lançamento de disco e de dardo – é recordista nacional nas duas disciplinas. A primeira grande prova internacional foi o Europeu de 2012, na Holanda. “Foi aí que enfrentei os meus adversários directos e tive mais noção de como é o desporto paralímpico”, recorda o atleta, que ficou a 15 centímetros do seu recorde pessoal em peso. A prova mais recente foi o Europeu de Swansea, em 2014, onde bateu o recorde nacional de peso (12,09m), que ainda está em vigor.

Eduardo divide os seus dias entre o atletismo e o trabalho no departamento comercial da Jerónimo Martins, onde trata da criação e manutenção dos dados. “Sinto-me realizado porque faço algo de que gosto muito, sinto-me bem integrado e trabalho como os outros. Na Guiné isto era impossível”, ressalta o atleta, que chegou a frequentar a licenciatura em Gestão no ISCAL – que abandonou ao fim de dois anos. “As faculdades não estão preparadas para deficientes visuais. As aulas eram dadas num quadro e eu não via, logo não conseguia acompanhar. Perdia imenso tempo a pedir os cadernos dos colegas para passar a limpo. Ainda fiz metade do curso mas por dificuldades financeiras deixei”, explica Eduardo, que acorda todos os dias às 5h da manhã e que chega a demorar duas horas de autocarro da Azambuja, onde trabalha, até ao Jamor, onde treina.

Clubes anteriores
2005-2012 ACAPO
2012-2013 Belenenses
2013-2014 Penhalnovense
2014-2015 Estrela de Almeida
2015- Sporting CP
Prémios

2012 – Campeonato de europa IPC  em Stadskanaal (Holanda)

2013 – Campeonato do mundo IPC em Lyon (França)

2014 – Campeonato de Europa IPC em Swansea (País de gales)

2015 – Campeonato do mundo IPC em Doha (Qatar)