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A nobre escola 'leonina'

Ao longo dos anos, o Sporting tem sido uma escola da modalidade, e o momento actual está ao nível dos tempos gloriosos.

O Pugilismo sportinguista teve como principal impulsionador o mestre Ricardo Ferraz, cuja dedicação ao clube reflecte bem o espírito de luta e de sacrifício dos praticantes de uma modalidade que continua a ser amadora.

Os pugilistas sportinguistas aplicam em cada exibição a máxima da modalidade «Combate duro gera forte amizade».

A esse propósito, recordamos um texto publicado no Jornal Sporting sobre o mestre Ferraz

"Estamos perante um daqueles casos em que a história de uma modalidade se confunde com a vida da sua figura mais influente. Embora os primeiros sinais de existência de boxe no Sporting datem de 1923, quando Albano Martins se sagrou campeão regional de meios-médios, as circunstâncias revelaram que era demasiado cedo para a modalidade poder vingar no Clube. Assim, pouco depois, o boxe ‘leonino’ terminou e teve início um jejum de quase 40 anos.

Foi preciso esperar por 1962 para se assistir ao renascimento do boxe em Alvalade. António Casquilho deu o mote e criou a melhor e mais bem apetrechada sala de pugilismo em território nacional. O Sporting soube aproveitar e contou com o precioso contributo daquele que viria a tornar-se o rosto da modalidade no Clube e em Portugal: Ricardo Ferraz. Conhecido e reconhecido como o ‘Senhor Boxe’, o ‘leão’ trocou os relvados lisboetas pela secção de pugilismo ‘verde e branca’. O gosto pela modalidade ganhou-o na Marinha. Lá, ajudou um companheiro que lutava, apanhou o ‘bichinho’ e não mais o largou. Escolheu destacar-se fora dos ringues e não no seu interior. E foi como treinador que elevou o nome do Sporting, vezes sem conta.

Com Ricardo Ferraz à frente dos destinos do boxe ‘leonino’, a modalidade foi apresentada ao público em 1962, durante um festival que decorria no antigo Pavilhão dos Desportos. A apresentação foi um êxito e o primeiro encontro oficial foi marcado para 3 de Julho do mesmo ano, sendo o Real Madrid o adversário escolhido. Aníbal Silva, Eduardo Neves, Fernando Tavares e Manuel Antunes foram os nomes escolhidos para, de ‘leão’ ao peito, derrotarem a equipa madrilena por 2-1, num Pavilhão dos Desportos a rebentar pelas costuras.
Nomes como Perfecto Campos, Mário Ribeirinho e Américo Sousa asseguraram os destinos da modalidade no Clube, mas foi com Ricardo Ferraz que os degraus do sucesso foram escalados. O ‘Zé das Toalhas’,como também era chamado, criou uma das escolas de formação mais produtivas do País, onde treinou nomes como Paquito, Vítor Carvalho, Manuel Antunes e Fernando Tavares.

Considerado revolucionário por introduzir novas directrizes nos métodos de preparação física, alimentação e disciplina, deixou também bem vincada a sua opinião sobre que características achava mais importantes num bom pugilista. “A resistência divide-se 25% nos braços, 25% nas pernas e 50% no cérebro. Porque um bom campeão não é aquele que bate com mais violência, tem é de ser capaz de aplicar os golpes no sítio certo, nos pontos vulneráveis do adversário”, afirmou.

15 Campeonatos Nacionais dos ‘leões’ têm a marca de Ricardo Ferraz, como treinador ou coordenador técnico da secção. O marinheiro que, enquanto treinava os fuzileiros, formava campeões em Alvalade, deixou a sua marca no boxe ‘leonino’ e levou o Sporting a bom porto no panorama nacional".