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Departamento

Competição:
Vítor Carvalho

Manutenção:
João Miguel 'Paquito'


Quem foi e quem é Vítor Carvalho?

Se queres ser atleta, não sejas treinador”. A frase acompanhou Vítor Carvalho desde pequeno e foi este o molde que lhe definiu a carreira no sempre atribulado mundo do boxe.

Calçou as luvas pela primeira vez com 18 anos. Na altura, uns amigos treinavam numa colectividade e decidiu aceitar o desafio. “Tínhamos acabado de vir da tropa, por isso preparação física não nos faltava. Só não tínhamos grande técnica, mas essa aparecia com o treino. Acabei por apaixonar-me pelo boxe”, explica Vítor Carvalho. Passou pela Musgueira, de onde saiu para poder dar continuidade à sua aprendizagem no boxe. O Sporting foi o destino de então e a casa onde se mantém até aos dias de hoje.

Como atleta, venceu seis Campeonatos Nacionais e sete Regionais. No Nacional perdeu uma vez. “E foi de forma injusta, na minha óptica, mas não interessa porque não existem vitórias morais”, conta. Sempre preferiu os títulos por equipas aos individuais. Era o mais pesado, por isso o último a combater. Assim, o encontro decisivo cabia-lhe quase sempre a si. “Tinha sempre o peso da responsabilidade mas, ao mesmo tempo, quando ganhava era uma alegria ainda maior por isso. O título de campeão nacional é sempre o mais ambicionado por qualquer atleta”, confessa.

A qualidade fê-lo subir de patamar e foi pela Selecção Nacional que disputou os combates mais marcantes. “Tivemos uma vitória em Londres que foi fantástica, contra a equipa inglesa. Também me lembro de um torneio contra Brasil, Angola e Cabo Verde onde ganhámos de forma irrepreensível”, explica.

Entrou no Sporting em 1979, como amador. Ao mesmo tempo, era segurança, mecânico, motorista e o que mais fosse preciso. Em 1988, passou a profissional, anos antes de, inesperadamente, dar início à etapa da sua vida onde ainda se mantém. “Era profissional e, um dia, cheguei para treinar e informaram-me que não havia ninguém para dar o treino. Perguntaram-me se podia orientar eu a sessão e aceitei”, recorda. A partir daí, a relação de amor virou casamento e Vítor Carvalho largou a competição, passando a treinador. “Já não dava mais. Estava quase com 38 anos e era o fim do ciclo. Não podia andar a arrastar-me em ringue e fisicamente já não era igual. É perigoso para um atleta quando, com uma idade avançada, quer fazer o que fazia quando era mais novo”, explica, sem arrependimentos. Conciliar competição com formação nunca esteve em cima da mesa e, apesar de ter sido treinado pelo ‘Senhor Boxe’, garante possuir os seus próprios métodos de trabalho: “Rejo-me por muitos ensinamentos, bases e métodos dele, mas não os sigo religiosamente. Tenho a minha maneira própria de ensinar, agir e conduzir um combate”, refere.

Actualmente, passa a maior parte do seu tempo no Multidesportivo de Alvalade, onde trabalha no presente e no futuro dos pugilistas ‘leoninos’. “Gosto de ensinar e esforço-me ao máximo. Aperto muito com eles nos treinos e, às vezes, é uma gritaria que não se pode. Mas quando não vou sentem falta dos meus gritos”, confessa o ‘leão’, que aprendeu a respirar boxe, de dentro para fora do ringue.

 


 

Quem foi e quem é João Miguel 'Paquito'?

Antes de treinar ‘leões’ no Multidesportivo de Alvalade e aturar os mais desajeitados que por lá aparecem – como, por exemplo, os elementos do Jornal Sporting que treinaram com a modalidade –, João Miguel foi um dos expoentes máximos do boxe, não só no Clube, como também no panorama nacional. Não estranhe se o nome de baptismo nada lhe disser, já que o português é conhecido no mundo do pugilismo por uma alcunha que até é de origem espanhola. “Deram-me este nome porque, em Espanha, havia um lutador chamado Paquerra, que tinha uma fisionomia e uma forma de combater parecidas com as minhas. Fiquei conhecido por Paquito e até hoje mantém-se assim”, conta.

Canhoto, nasceu na Mouraria, mas foi em Cacilhas que se fez pugilista. Atingiu o seu auge entre as décadas de 70 e 80, onde conseguiu o magnífico registo de 245 vitórias em 250 combates. Em toda a sua carreira, sofreu apenas cinco derrotas; três delas, no estrangeiro. Uma das que mais o marcou teve lugar na República Democrática Alemã, frente a um polaco. O dirigismo político do seu adversário estava sintoniza- do com o do país organizador, pelo que o público e o árbitro tudo fizeram para que o português não saísse vencedor. Apesar da derrota, Paquito confessa: “O polaco levou uma das maiores ‘tareias’ da sua vida”.

Um ano depois, voltou a perder, desta feita na União Soviética, em plenos Jogos Olímpicos – os únicos que contaram com a presença de um pugilista nacional. A derrota aconteceu contra o campeão do Mundo, mas Paquito vendeu-a cara. “Perdi por um ponto contra o Shamil Sanirov. Não foi fácil para ele e não sou eu que o digo. O próprio referiu na conferência de imprensa que tinha sido um adversário muito complicado, principalmente por ser canhoto”, explicou o ‘leão’.

Foi no BOXAM, competição que reúne lutadores de todo o Mundo, que conseguiu as suas maiores vitórias internacionais. Medalha de bronze em 1979 e de ouro em 1980, Paquito recorda essas vitórias: “Lembro-me, com saudade, da conquista em 1980 contra um venezuelano com mais 22 centímetros do que eu. Recordo-me ainda de uma vitória em Santander, onde dei uma ‘tareia’ a um espanhol que nunca vou esquecer, tal foi a minha supremacia. Se quisesse ganhar lá fora só podia ser assim. Lutando no estrangeiro era sempre complica- do. Não bastava vencer, era preciso convencer para que os árbitros nos dessem a vitória”, conta.

Em Portugal, teve apenas duas derrotas. Numa delas, combateu lesionado. “Depois do combate, o meu adversário andou a gabar-se da vitória, sem contar que eu estava lesionado. Umas semanas mais tarde, voltámos a defrontar-nos e venci de forma indiscutível”, explica Paquito, que actualmente é treinador do boxe ‘leonino’, juntamente com Vítor Carvalho. No Sporting, formam não só atletas, mas também homens. Esse ensinamento aprendeu-o com o seu treinador: “Ricardo Ferraz dizia-nos que, por vezes, podia não formar bons luta- dores, mas se saíssem bons homens já seria uma alegria enorme para ele. É nossa função educá-los também”, concluiu o dono de uma esquerda temível, e que trabalha diariamente para deixar o seu legado no boxe bem entregue aos ‘leões’ de hoje em dia.